Assédio moral

                                   



SAÚDE TOTAL

CONVERSAS PSICANALÍTICAS COM O DR. EDUARDO BAUNILHA


                                         Assédio moral

Muito se tem falado em assédio moral. Quando penso em assédio, logo me vem a mente a questão da conexão com o outro.

Conexões humanas não é algo que posso escolher. É uma necessidade. Sem interação o ser humano não tem a mínima possibilidade de ter uma vida equilibrada, pois é na interpessoalidade que crescemos, criamos nossa identidade, nos formamos.

Também, assédio me lembra de ações que não são valorativas, que não constroem relações saudáveis. Dentro deste escopo, lembro de mim e de cada um de nós que, quantas vezes fomos, estamos sendo ou podemos ser abusadores, por meio de nossas palavras e ações.

Me faz pensar em uma sociedade que não entende o valor do outro, porque nem mesmo se valoriza. Estamos sempre buscando caminhos para lidar com as adversidades que são fáceis demais para a construção de um ser capaz de viver plenamente.

Temos medo de enfrentar a dor, por isso nos entupimos de remédios. Temos horror de pensar que a idade está chegando, porque não paramos para pensar nos inúmeros ganhos que podemos adquirir com ela. Nos atemos somente nas perdas, no cansaço, no isolamento, como se não pudessem ser trabalhados para melhor vivenciá-los. Não imaginamos que em todas as fases existem perdas e ganhos e está tudo bem, porque a vida é assim. Simples assim!

Assédio me lembra de experiências de amor que são solapadas pela ignorância de um viver sem elaboração. Se lidar com o outro é um grande desafio para mim, preciso entender o porquê desta dificuldade, pois estarei impedindo a mim mesmo de vivenciar situações extremamente prazerosas, que dão colorido a vida e que nos faz sentir regozijantes.

Assédio moral me faz entender que posso vigiar minhas palavras e atos para que não sejam usadas para o mal, porque como diz Lacan, posso ter controle com o que falo e de como eu falo, mas não posso controlar a forma como o outro ouve.

Sendo assim, preciso ser cauteloso, por amor a mim mesmo e, consequentemente, por carinho ao outro que me completa.

Um fortíssimo abraço para você!

 

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